31 de outubro de 2010

Os Conflitos Existenciais

A mistura da realidade e da fantasia suscita questões importantes como os valores de relacionamentos, natureza, família, tolerância, sentimentos, sabedoria, respeito, diferenças, determinação, companheirismo, imaginação x realidade contidos nas histórias, esses são absorvidos pelas crianças e ajudam a enfrentar seus conflitos existenciais e a lidar com esses medos, mostrando como resolver seus problemas e a compreender as coisas ao seu redor.

Tânia Fortuna afirma que,

a criança, ao dar um nome e uma etiqueta aos próprios medos, de modo a exprimi-los de viva voz, a poder declará-los abertamente e a ter certeza de que os outros poderão aceitá-los e compreendê-los, ela realiza uma sofisticada operação mental em que fala consigo mesma e com os outros de uma sensação que, de outro modo, seria inexprimível. Ao mesmo tempo, circunscreve o âmbito e os limites daquilo que assusta, prepara o processo de redução e, finalmente, de extinção dos medos, capacitando-se, com o tempo, a superá-los. (2004, p. 190)

A utilização das histórias infantis e os contos de fadas facilitam a compreensão do comportamento, as verdades e realidades que estão subentendidas nas histórias. Estes simbolismos contribuirão para a construção uma personalidade sadia de forma significativa para sua formação social.

Podemos usar as histórias infantis para falarmos dos preconceitos, alguns deles como a questão de ser gordo e não aceitar-se.

Muitas vezes não nos aceitamos como somos. E estas atitudes geram problemas afetivos. A desmistificação da questão que por ser gordo não quer dizer que seja uma pessoa malvada e feia e o contrário também.

Dessa forma, através do imaginário, a criança consegue identificar e compreender seu lugar nos grupos que participa, aprende a respeitar regras básicas de convívio social e a diversidade que a compõe, contribuindo de forma significativa para sua formação pessoal e autonomia.


Referências:

FORTUNA, T. R. 2004. Brincar, viver e aprender: educação e ludicidade no hospital. Ciências e Letras-Revista da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. Porto Alegre, n. 35, Jan/Jun, p. 185-201.

24 de outubro de 2010

A Reflexão

Levando em consideração todos os acontecimentos e durante este período do estágio, penso que o diálogo é fundamental para o processo da construção, das trocas, no desenvolvimento do conhecimento e principalmente para que isso aconteça, preciso ser reflexiva.

Perrenoud afirma:
A autonomia e a responsabilidade de um profissional dependem de uma grande capacidade de refletir em e sobre sua ação. Essa capacidade está no âmago do desenvolvimento permanente, em função da experiência de competências e dos saberes profissionais. Por isso, a figura do profissional reflexivo está no cerne do exercício de uma profissão, pelo menos quando a consideramos sob o ângulo da especialização e da inteligência no trabalho. (2002, p.13)


Hoje vejo que antes não refletia sobre a minha prática e toda a complexidade que se apresentava diariamente. Ficava mais preocupada em saber se o que um determinado autor tinha escrito se aplicava a situação vivida naquele momento. Não conseguia avaliar-me, principalmente identificar onde e o que teria que alterar em meu planejamento.

Acredito que minhas reflexões em sala de aula durante as atividades, pois hoje vejo que é impossível se desligar deste ato, me fazem ficar atenta a detalhes antes não percebidos. Por exemplo, pensava que para ter a atenção deles e explicar alguma coisa, era necessário silêncio total. Dificilmente peço para ficarem calados. Eles não se sentem intimidados e participam espontaneamente, sentem-se valorizados por fazerem parte de um todo por terem suas opiniões respeitadas.

São durante essas conversas, esses diálogos paralelos que surgem as trocas e a produção dos saberes. Nesse sentido, no instante em que praticamos alguma coisa a aprendizagem se processa, quando trocamos nosso conhecimento com alguém, através de estímulos recebidos a uma determinada “situação” e influenciado pela busca deste conhecimento seja de fatores internos ou externos ao seu cotidiano, toda informação adquirida, a vivência, as experiências, isso facilitará as trocas e oportunizará ao aluno a construção da auto-estima e da autonomia, contribuindo de forma significativa em sua formação pessoal e social.

Referências:

PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre, Artmed, 2002.


15 de outubro de 2010

O brincar

A prática de atividades lúdica é fundamental para o desenvolvimento afetivo e socializador.

O brincar desenvolve a criatividade, a aprendizagem, a imaginação, constrói relações com os colegas, traz fatos de seu cotidiano, elabora regras de organização.
Segundo Piaget:

O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil". (1976, p.160).

Dispor de atividades lúdicas possibilita que criança desenvolva sua identidade e sua autonomia.


Dar liberdade para a criança se expressar, ser espontânea, é a melhor forma de aprendizagem, as coisas fluem naturalmente.


O papel do professor não é o de simples transmissor de conhecimento, mas o de “facilitador”, para que este conhecimento seja construído no sentido de despertar sentimentos de segurança, capacidade e confiança, desenvolvendo assim no aluno sua autonomia.


As atividades desta semana contribuíram no sentido de oportunizar as crianças vivências positivas de socialização, exercitar a afetividade, a cooperação, a imaginação e criatividade dentro de um ambiente saudável.

3 de outubro de 2010

No Estágio

O sentido de formação profissional implica em entender a aprendizagem interdisciplinar como um processo contínuo e requer uma análise cuidadosa desse aprender em suas etapas, evoluções, avanços e concretizações. Requer redimensionamento dos conceitos que alicerçam tal possibilidade na busca na compreensão de novas idéias e valores.
Saber identificar os conhecimentos que a criança já possui e desenvolver a construção de novos conhecimentos, sabendo quais os percursos que serão necessários para tanto, são as principais habilidades que um professor precisa possuir.
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"A Educação Infantil cuida das relações entre vínculos afetivos, compartilhamentos, interações entre as crianças pequenas, que precisam ser atendidas e compreendidas em suas especificidades, dando-lhes a oportunidade de ser criança e de viver essa faixa etária como criança. Por que diminuir esse tempo e forçar uma entrada prematura na escolaridade formal? Não há ganhos nesse apressamento e, sim, perdas, muitas vezes irrecuperáveis: perda do seu espaço infantil e das experiências próprias e necessárias nessa idade.” Parecer CNE/CEB nº 39/2006, aprovado em 8 de agosto de 2006

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A principal atividade da criança até os seis anos é o brinquedo: é nele e por meio dele que ela vai se constituindo. Não se deve impor a seriedade e o rigor de horários de atividade de ensino para essa faixa etária. O trabalho com a criança até os seis anos de idade não é informado pelo escolar, mas um espaço de convivência específica no qual o lúdico é o central.
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30 de setembro de 2010

Reflexões

Durante todos os dias, na execução das atividades propostas, para que os alunos participassem de forma efetiva e a produção fosse satisfatória, usei várias estratégias, repensei algumas atividades, alterei planejamentos, mas o principalmente fiz o uso do diálogo, da interação, com objetivo de construir uma relação de harmonia e bem-estar.
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De um modo geral, vou condicionar que a rotatividade dos alunos durante esta semana, se deve as condições climáticas (chuvas), considero muito produtiva e satisfatória. Não fiz um planejamento esperando uma reprodução fiel do que foi transmitido ou “ensinado” e avaliar se os objetivos foram alcançados. Fiz numa perspectiva de me avaliar e verificar se os métodos e técnicas utilizadas contribuirão para a construção do conhecimento, da identidade e da autonomia do aluno. Levei em conta ao fazer o planejamento, oferecer um espaço onde a criança se sinta valorizada, respeitada em seus desejos e expectativas, levando em conta sua diversidade social e cultural. Principalmente a realidade e o meio em que vive.
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Segundo Lino de Macedo (1998),

“para uma criança, a vida é ainda mais frágil e complexa que para um adulto. Assim sendo o esforço adaptativo se resume a uma necessidade vital que a criança tem, e lhe é solicitada pela sociedade, que consiste em aprender para poder sobreviver. Durante esse processo, a criança utiliza jogos e brincadeiras, não importando a estrutura de ambos. Estes são uma espécie de folga no esforço adaptativo.”
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22 de setembro de 2010

Era uma vez ...

"Era uma vez..."
Este sempre é o começo usado para transpor o mundo real. Do real para o imaginário. Muitas vezes, na expectativa de sermos brindados com um mundo de fantasias, onde as pessoas comuns são transformadas em super-heróis e o bem sempre vence o mal. Algumas vezes não, mas nem por isso, deixamos de ler, contar ou ouvir histórias.
Nessas horas nos permitimos refletir sobre a vida, sobre nós mesmos, caminhos tomados, rumos interrompidos, sonhos desfeitos, as conquistas, e, principalmente, a realização dos desejos...
Vygotsky, contribui com seus estudos do brincar, o faz-de-conta, afirmando que ele irá permitir que a criança aprenda e elaborar e resolver situações conflitantes que vivencia ou vivenciará no seu cotidiano.
A entrada da criança no mundo do faz-de-conta, marca uma nova fase de sua capacidade de lidar com a realidade, com os simbolismos e as representações, iniciando o processo de socialização, o qual está ligado ao desenvolvimento da identidade e autonomia, que o levará ao encontro do seu Outro-Eu.
Segundo Louis Paswels:
“Quando uma criança escuta, a história que se lhe conta penetra nela simplesmente, como história. Mas existe uma orelha detrás da orelha que conserva a significação do conto e o revela muito mais tarde”.
A pretensão, nesta fase que reinicia, é explorar o mundo imaginário da criança, desenvolvendo uma proposta que contribua significativamente na construção da identidade e da autonomia, frente às diversidades encontradas no cotidiano, integrando-as nas diferentes áreas do conhecimento.

"A principal atividade da criança até os seis anos é o brinquedo: é nele e por meio dele que ela vai se constituindo. Não se deve impor a seriedade e o rigor de horários de atividade de ensino para essa faixa etária. O trabalho com a criança até os seis anos de idade não é informado pelo escolar, mas um espaço de convivência específica no qual o lúdico é o central." Parecer CNE/CEB nº 39/2006, aprovado em 8 de agosto de 2006

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3 de junho de 2010

Contação de Histórias e Brinquedos

As crianças adoram histórias e é claro brinquedos. Vamos aproveitar e soltar a imaginação!
Contar histórias "é também suscitar o imaginário e ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, e encontrar outras idéias para solucionar questões (como as personagens fizeram...) É a possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos - dum jeito ou de outro - através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos (o não) pelas personagens de cada história cada um a seu modo)... -Fanny Abramovich
Através da utilização de histórias, temos a oportunidade de representar cenas do cotidiano dos alunos.. O uso desse instrumento ajuda a criança a aprender como se relacionar de forma amigável, reconhecer e falar sobre diferentes sentimentos, lidar com a verdade e com a mentira, com a ira e com a dor, com o medo e atristeza e como se expressarem, o que lhes agrada e o que desagrada.
"Quando uma criança escuta, a história que se lhe conta penetra nela simplesmente, como história. Mas existe uma orelha que conserva a significação do conto e o revela muito mais tarde". Louis Paswels
É importante destacar que os valores e os ensinamentos conquistados, devem ser retomados e valorizados no sentido da construção da aprendizagem e do conhecimento. Sejam através de histórias ou das brincadeiras e brinquedos.
Além de proporcionar prazer e diversão, o jogo provoca o pensamento reflexivo na criança. fazendo com que ela se desenvolva social, cognitiva e afetivamente.
Enquanto brinca, a criança está pensando, criando e desenvolvendo, dentre outros fatores, o pensamento crítico...Rosalina G. Ferreira
Estas atividades criam possibilidades para a construção da afetividade, cooperação, autonomia, favorecendo a recepção de informações, de modo espontâneo e a apropriação das mesmas , de forma simples e eficiente.
Quando se brinca, se exercita as potencialidades, provoca o funcionamento do pensamento.

28 de maio de 2010

Desenvolvimento Moral

A capacidade que a criança tem utilizar os recursos pessoais disponíveis no momento, formar uma auto-imagem, através deste conhecimento desenvolver a criticidade, a auto-avaliação disposta a tranformar-se a si mesmo através de reflexões profundas, são elementos constitutivos e fundamentais na construção da identidade e da autonomia.
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Nesse sentido, a escola exerce uma função muito importante e significativa na formação moral da criança, preparando-o para a vida social, formando cidadãos cientes de seus atos, conscientes de seus deveres e direitos, ligada a particicpação efetiva dos pais no processo educacional. Concepções como "trabalho" e "familia", estruturam muitos dos valores que nos acompanham e configuram ao longo de nossas vidas.
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Para tanto, valores sociais devem ser cultivados a aprtir de reflexões e referências mais profundas.
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Para Piaget, a educação moral ou educação de valores não poderia jamais se dar na forma de im posição de valores, por melhor que estes fossem, nem deixada a livere escolha de cada um.
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Piaget (1996) argumernta que na moral os meios usados no ensino são tão fundamentais quanto os fins. Se quisermos educar para a autonomia, não é possível obtê-la por coação.
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Assim, a formação moral de alunos e/ou professores passa, obrigatoriamente, pelo exercício da construção de valores, regras e normas, pelos próprios entre si e nas situações em que sejam possíveis relações de trocas intensas, troca de necessidades, aspirações, pontos de vistas diversos, enfim, quanto maiores e mais diversas forem as possibilidades de trocas entre as pessoas, mais ampla poderá ser o exercício da reciprocidade.
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22 de maio de 2010

Planejamento

Planejar nem sempre quer dizer que será executado na íntegra.
Desde o início do estágio, é necessário rever e refazer o que foi planejado.
Percebo que para ter sucesso na execução das atividades propostas e que se evidencie a aprendizagem, é necessário que eu me ajuste a situações, seja flexivel e criativa.
Procuro desenvolver as atividades sempre fazendo relações com a realidade deles, de forma a facilitar o entendimento e incentivando a participação de todos.
Oportunamente, utilizo os momento das atividades livres e das brincadeiras para que sejam desenvolvidas atitudes de respeito, solidariedade, amizade, gentileza e cooperação nas relações com os outros, a vivência de novos sentimentos, valorizando o enriquecimento pessoal e cultural.
A criança precisa estar segura e estabilizada emocionalmente para participar da construção do conhecimento e da aprendizagem.

20 de maio de 2010

Valores

Ensinar não se restringe a repassar informações, consiste numa tarefa complexa. É auxliar a criança a tomar consciência de si mesmo, dos outros e da sociedade.
É reconhecer-se como pessoa, que tem direito e deveres e reconhecer o mesmo no outro.
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O exemplo disto são situações que ocorrem diariamente nas escolas, e também na turma do Pré-Escolar da Escola Eloy Brusch onde estou estagiando.
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São desenvolvidos conceitos que enfocam atitudes e valores, diretos e deveres, através de histórias ilustradas, desenhos e outros materiais disponíveis.
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As crianças identificam todas as "falhas e erros" dos personagens ou situações fazendo comentários pertinentes, mas afirmam que eles mesmos não fazem nada de errado.
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No entanto, quando alguém pede alguma coisas emprestada a outro, rapidamente recebe a resposta: "- Minha mãe disse que não é pra emprestar nada do meu material. É meu. Foi meu pai que comprou."
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Entre outras situações corriqueiras.
É muito dificil lidar com isso. Principalmente por que ja vêm doutrinados de casa.

16 de maio de 2010

Estágio. Prática. Aprendizagem

"... nas condições de verdadeira aprendizagem,
os educandos vão se transformando em reais sujeitos
da construção e da reconstrução do saber ensinado,
ao lado do educador,
igualmente sujeito do processo."
Paulo Freire
Mais um semestre se inicía. Diferente em todos os aspectos.
Estágio. Aprendizado. Exercício. Prática. A conclusão do processo de minha jornada. Este é o momento em que todas as etapas de minha formação serão colocadas à prova e apresentarão a concretização das ações e as intenções da profissão a que este curso se propõe a legitimar.
Acredito que este momento será de grande importância para minha formação profissional, onde poderei partilhar e aplicar, por à prova, nas práticas minhas teorias e aprendizagens adquiridas ao lomgo deste curso.
Desse modo, é necessário colocar em evidência, o principal elemento desta formação: o aluno.
Há que se levar em conta todos os aspectos envolvidos, principalmente ser consciente que é um agente transformador, uma vez que a criança busca na escola, adquirir bases de uma formação de qualidade e ser um integrante ativo na sociedade.
"Não sou apenas objeto da História,
mas seu sujeito igualmente. No
mundo da História, da cultura,
da política, constato não para me
adaptar, mas para mudar."
Pedagogia da Indignação, 2000

21 de outubro de 2009

MODELOS DE LETRAMENTO E AS PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO NA ESCOLA







A partir da leitura do texto “Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola” (KLEIMAN, 2006), e do estudo da apresentação, pode-se dizer que a escola, sendo a mais importante agencia de letramento, não se preocupa com o letramento social e sim com um tipo de letramento, o escolar, porque a ela foi concebida historicamente esta função, o de direcionar seu trabalho exclusivamente para o processo de aquisição de códigos, ensinarem o reconhecimento das letras e números (alfabético, numérico), com isso diferenciando somente os ditos alfabetizados dos analfabetos.


A escola não tem formado sujeitos letrados e essa concepção de aprendizagem da linguagem da escrita com o desenvolvimento da linguagem abstrata choca-se com as práticas entendidas como leitura crítica e resgate da cidadania.





O exemplo de modelo de letramento ideológico permite discutir os pressupostos do modelo de letramento autônomo, relativizando e tornando-se um elemento potencial de transformação da prática escolar.

LEITURA, ESCRITA E ORALIDADE





Os professores têm a obrigação de falar e ler “correto”, abordar a leitura, sem considerar a escrita, é uma tarefa que não conseguiríamos levar adiante, pois a leitura e a escrita depende de regras da língua padrão.

É necessário que aja uma modificação nos métodos de aproximação dos fatos gramaticais, para que haja proveito para nossos alunos e que estes possam, ver as vantagens de uma reflexão sobre a língua, que resulte mais tarde numa sistemática desejável.

Acredito que ler e falar corretamente contribuirá para o aluno se preparar para ser inserido na sociedade. Ler e falar corretamente faz com que a pessoa se sinta mais confiante e com a “sensação” de que é parte integrante do meio. É uma das formas de desenvolver a autonomia.

CONCEITOS E FUNÇÕES DA EJA



Parecer CNE/CEB 11/00 - Conceito e funções da EJA


  • FUNÇÃO REPARADORA DA EJA, no limite, significa não só a entrada no circuito dos direitos civis pela restauração de um direito negado: o direito a uma escola de qualidade, mas também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo e qualquer ser humano.


  • FUNÇÃO EQUALIZADORA DA EJA vai dar cobertura a trabalhadores e tantos outros segmentos sociais como donas de casa, migrantes, aposentados e encarcerados. A reentrada no sistema educacional dos que tiveram uma interrupção forçada seja pela repetência ou pela evasão, seja pelas desiguais oportunidades de permanência ou outras condições adversas, deve ser saudada como uma reparação corretiva, ainda que tardia, de estruturas arcaicas, possibilitando aos indivíduos novas inserções no mundo do trabalho, na vida social, nos espaços da estética e na abertura dos canais de participação.

  • FUNÇÃO QUALIFICADORA DA EJA – A tarefa de propiciar a todos a atualização de conhecimentos por toda a vida é a função permanente da EJA que pode se chamar de qualificadora. Mais do que uma função, ela é o próprio sentido da EJA. Ela tem como base o caráter incompleto do ser humano cujo potencial de desenvolvimento e de adequação pode se atualizar em quadros escolares ou não escolares.


A escola deve prever a seqüência mais adequada de tratamento dos componentes curriculares em espaços ou módulos de tempo, possibilitando ao aluno transitar por este currículo de acordo com o seu ‘tempo próprio’ de construção das aprendizagens.

A fixação da duração do curso é uma prerrogativa da Lei; a organização desse tempo é uma tarefa pedagógica; tornar viável esse cumprimento é uma solução a ser buscada na esfera administrativa.

O MENININHO


“O professor, além de ensinar, passa a aprender e o aluno além de aprender passa a ensinar. Nesta relação professor e aluno avançam no tempo. O professor construirá sua docência dinamizando seu processo de aprender. Os alunos construirão a cada dia sua discência, ensinando aos colegas e professor novas coisas, isto avança o processo de construir conhecimentos.” Paulo Freire






Em “O menininho”, de Helen Buckley, em que a professora dava modelos prontos e os alunos tinham que reproduzi-las mecanicamente, foi gradativamente podando a criatividade e a espontaneidade do menino.



A comunicação entre professor e aluno, é o fator determinante para que se tenha um aprendizado significativo, enfocando os princípios de valores, cooperação, ética, de forma que se oportunizem as trocas e vivências, sabendo lidar com as diferenças e a individualidades, respeitando cada um em sua diversidade e singularidade.


Os desafios a serem vencidos e os objetivos atingidos, baseiam-se em saber reconhecer as necessidades e os desejos do aluno, criando uma relação de confiança, dando oportunidade para que o aluno trabalhe de forma independente e que os mesmos tenham responsabilidades pelo planejamento de suas atividades.


Não quero ser como a professora da história, quero poder fazer a diferença na formação destes alunos, que possam desenvolver ações a partir de suas potencialidades, buscando caminhos satisfatórios para a compreensão do conhecimento, propiciando condições para a construção da autonomia, da cidadania e de uma sociedade emancipatória e justa.








COMÊNIO



Comênio já abordava sobre a necessidade de dar educação a todos, sem distinção de sexo, chamando a atenção dos educadores para a importância de se respeitar a capacidade de compreensão do aluno, como seres humanos dotados de inteligência, sentimentos e limites, usando um método onde os alunos aprendessem uma aprendizagem significativa e não decorassem simplesmente.

Esta aprendizagem deve ser iniciada pelos sentidos, da preocupação, da experiência do aluno e não a partir de teorias abstratas.



Comênio mostra a importância do bom relacionamento entre professores e alunos e a importância de oportunizar situações onde os alunos com maior facilidade de aprendizagem auxiliem os que têm maior dificuldade (cap. 19).




A obra mais importante de Comênio, "Didática Magna" (1657), marca o início da sistematização da pedagogia e da didática no Ocidente, inicialmente escritacomo "Didática checa", na qual ele desenvolveu suas idéias sobre o ensino. Já no prefácio, Comênio revela seu interesse pelo método: "A proa e a popa da nossa Didática será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais."

Procuro a partir da experiência dos alunos, desenvolver estas habilidades em minha práxis, oportunizando situações em que os alunos exponham o que já sabem sobre o assunto trabalhado, que troquem experiências, que pesquisem e construam alternativas para a solução de problemas de forma a valorizar os saberes e aprendizagens dos alunos.

FORDISMO E TAYLORISMO


Realizando a leitura do texto de Santomé, este chama a atenção para as mudanças ocorridas a partir do século XX, referente à necessidade de introduzir as questões sociais e os problemas diários enfrentados na sala de aula. De acordo com as idéias de Taylor, os trabalhadores não podiam participar dos processos de decisão. Assim como no Fordismo, que demonstra uma filosofia que os interesses e as necessidades dos trabalhadores não tinha importância, somente o que eles produziam, trabalhando mecanicamente, sem compreender o todo, nem o sentido do que faziam.


Isto se refletiu na educação, onde os conteúdos que formaram o currículo escolar eram trabalhados de forma isolada, ignorando que o verdadeiro sentido da escola existir é o de preparar cidadãos para compreender, julgar e intervir na sua comunidade, de uma forma responsável, justa, solidária e democrática.


É evidente que a educação ao longo da história ainda se depara com problemas decorrentes das filosofias do Taylorismo e do Fordismo, pois os professores não recebem a devida valorização e nem seus alunos.

18 de outubro de 2009

ALFABETIZAÇÃO E A PEDAGOGIA DO EMPOWERMENT POLÍTICO


No texto “Alfabetização e a pedagogia do empowerment político” de Henry Giroux, o autor fala da descentralização de poderes pelos vários níveis hierárquicos da organização, permitindo a criação de maior motivação nos trabalhadores, motivação para a liberdade e livre iniciativa, ou seja, a autonomia. Freire revela a consciência política do ato educativo, baseado na problematização da realidade do aluno, dentro do contexto educativo, na busca da reflexão e da criticidade, apostando no ato pedagógico para a construção da libertação do indivíduo.
Freire nos aponta a importância e a necessidade de uma reflexão na qualidade de educadores, devemos criar o senso crítico buscar os conhecimentos e as vivências dos educandos como instrumento de aprendizagem. As condições mínimas para que exista a inclusão é ler e escrever.

SURDEZ






Constatamos que existem dificuldades até hoje em relação a esse tipo de diagnóstico, que realmente, há uma resistência, seja por falta de conhecimento, de cultura e do próprio preconceito, e até por vergonha da sociedade. Muitas vezes confinam essas crianças em suas próprias casas.

Isso se confirma como mostrado no filme, onde a sociedade trata Jonas como um incapaz, que não tem condições de realizar qualquer tarefa sozinha, e em função disso os pais deveriam mantê-lo afastado da rua, de tudo e de todos, simulando uma falsa proteção.

Mesmo diante de todas as dificuldades e todos os empecilhos, sempre existe alguém, que entende e que consegue se relacionar com a pessoa procurando alternativas para integrá-la na sociedade, como no filme.

Apesar de ser ficção, “a história de Jonas”, é uma realidade.

Há a necessidade de entender a situação das famílias e ter sensibilidade para perceber que estas pessoas se preparam para uma situação dita “normal” e se deparam com uma realidade “diferente”, e nestes casos são obrigadas a se ajustarem e a buscar alternativas que aliviem seu sofrimento e também, mascarar, camuflar esta situação para os que estão ao seu redor, de forma que estes não se sintam constrangidos ou incomodados.

Acredito que para haver a interação com as pessoas surdas, o aspecto mais importante é a língua de sinais. O surdo sabe ler e escrever, desta forma pode se comunicar. Para que haja uma comunicação e uma interação, tenho a necessidade, além de conhecer a Língua Brasileira de Sinais – Libras, também a Cultura Surda, através da vivência em sua comunidade.

18 de junho de 2009

O CLUBE DO IMPERADOR

O filme O Clube do Imperador, trata de um drama que envolve um professor de história, Sr. Hundert e um aluno que é obrigado pelo pai a estudar, Sedgewick Bell.
Desde o primeiro dia de aula, a insolência e a displicência estão presentes nas atitudes de Bell, tentando chamar a atenção de todos com suas gracinhas de mau gosto. Hundert o aconselha a deixar a estupidez de lado e estudar, empresta-lhe um livro dizendo que todas as matérias e assuntos estão nele e que irão ajudá-lo no Concurso Julio Cesar e o vencedor ganhará um coroa de louros como na Roma Imperial. Bell se dedica aos estudos.
O drama tem inicio quando Hundert está avaliando o ensaio dos alunos e fazendo a lista dos classificados, ao perceber que Bell foi bem nas provas mas não ficou entre os três finalistas, Hundert entra em conflito. Hundert acredita que Bell merece uma chance, mesmo sabendo que outro aluno tinha se saído melhor nas provas, deixa seus princípios éticos de lado e levado pela emoção, coloca Bell entre os três finalistas.
Durante a final do concurso, Hundert percebe que Bell está colando e tentando corrigir uma injustiça, pois para o professor, a vida de um cidadão deveria ser regida por princípios de integridade e honestidade, comunica o diretor o que estava ocorrendo. E então percebe que os valores que ele pregava e acreditava não eram compartilhados pelo diretor, que ao saber do fato simplesmente diz a Hundert para ignorar o ocorrido, pois o pai de Bell estava presente, um senador sem escrúpulos e com uma visão de valores corrompidos e deturpados, o qual só importa o poder e desprezando qualquer constituição de caráter e integridade.
Desacreditado na capacidade de a escola mudar o caráter do ser humano, Hundert se decepciona, numa tentativa de aplacar sua consciência moral e ser justo, faz então uma pergunta que não estava no contexto e que Bell responde dizendo não saber quem era Shutruk Nahunt, fazendo assim que o outro candidato fosse o vencedor.
Na decisão de Hunter, os princípios morais envolvidos foram a ética, integridade, justiça e caráter.
Quanto à decisão de Hundert em relação à manipulação dos resultados das provas para a classificação final e do resultado final do concurso, acredito não ter sido uma decisão correta, pois nas duas situações ele se deixou levar primeiramente pela emoção e não pela razão. Na tentativa de recuperar Bell e acreditar ser capaz de mudar o seu caráter e sua conduta, esqueceu de todos os princípios que acreditava e pregava, a ética e a retidão de conduta, o que o levou a um grande conflito moral e a culpa por ter prejudicado o aluno desclassificado.
E a questão de Hundert ter pedido desculpas a Martin vinte e cinco anos depois, deve-se ao fato que, Bell investiria alguns milhões de dólares na escola se tivesse uma revanche do concurso e que Hundert fosse o mediador, novamente Bell lhe mentiu e enganou. Levando-o dessa forma pedir a Martin desculpas e se redimir, confessando seu fracasso como professor. Martin não se sentiu prejudicado e disse a Hundert que ele não podia se culpar por um único fracasso. Os outros alunos provaram a Hundert que ele não havia falhado como professor, e por melhor que seja o professor, este não tem o poder de “moldar” o caráter de uma pessoa, a menos que a própria pessoa permita.